Quando o Rapaz descobre no bolso do roupão uma alta quantia em dinheiro, nos primeiros minutos de filme, nós espectadores testemunhamos um transição de foco narrativo do realismo da sala que ele habita para o interior de sua consciência, a constar: um lugar não menos fétido que o outro.
Esta transição se dá através de música. Ludwig Van Beethoven invade o silêncio pincelado de ruídos incidentais para sincronizar o encadeamento dos planos com o terceiro movimento da elétrica Sonata Nº14, popularmente conhecida como Moonlight Sonata. A partir daí, o real sai de cena para dar lugar a um universo tétrico no qual objetos e situações se rearranjam de forma peculiar, desrespeitando a lógica e a convenção próprios da verossimilhança.
Se a opção por uma narrativa livre de diálogos requisita da imagem uma precisão potencializada de seus efeitos estéticos, o mesmo acontece com a música. Aqui, no nosso caso, acontece também com o intérprete.
Mesmo que integre, ao lado de outras tantas, o núcleo popularizado das sonatas, muitas vezes sendo considerada entre os vanguardistas como um recurso “batido” e clichê, o terceiro movimento da Sonata Nº14 exige do seu intérprete destreza e condicionamento impecáveis para sua execução.
Considerando estes fatores técnicos, assim como a importância desta música para nosso filme, Cecília Gabrielan: a Maria Moura dos apoios e parcerias, vestiu a roupa e as armas de Jorge para enfrentar mais um dragão de proporções homéricas. Desta batalha surgiu Jairo. Durante uma reunião organizada na escola Minueto, ele se mostrou disponível para executar dois movimentos da Moonlight para a trilha sonora: o primeiro e o terceiro. Nosso segundo encontro aconteceu na Fundação de Educação Artística, que nos cedeu para tal uma sala com piano. Lá, Jairo deitou sobre as teclas o peso perturbador da música de Beethoven, enquanto o som era gravado a partir dos aparelhos de captação. Depois disso, este material seguiu para o tratamento, edição e, finalmente, teremos uma trilha. Quando isso se der, a peteca cai na mão do editor e ele faz a mágica:
Um editor é o alquimista da sétima arte... mas isto é tema para outro dia.
Saravá!
Esta transição se dá através de música. Ludwig Van Beethoven invade o silêncio pincelado de ruídos incidentais para sincronizar o encadeamento dos planos com o terceiro movimento da elétrica Sonata Nº14, popularmente conhecida como Moonlight Sonata. A partir daí, o real sai de cena para dar lugar a um universo tétrico no qual objetos e situações se rearranjam de forma peculiar, desrespeitando a lógica e a convenção próprios da verossimilhança.
Se a opção por uma narrativa livre de diálogos requisita da imagem uma precisão potencializada de seus efeitos estéticos, o mesmo acontece com a música. Aqui, no nosso caso, acontece também com o intérprete.
Mesmo que integre, ao lado de outras tantas, o núcleo popularizado das sonatas, muitas vezes sendo considerada entre os vanguardistas como um recurso “batido” e clichê, o terceiro movimento da Sonata Nº14 exige do seu intérprete destreza e condicionamento impecáveis para sua execução.
Considerando estes fatores técnicos, assim como a importância desta música para nosso filme, Cecília Gabrielan: a Maria Moura dos apoios e parcerias, vestiu a roupa e as armas de Jorge para enfrentar mais um dragão de proporções homéricas. Desta batalha surgiu Jairo. Durante uma reunião organizada na escola Minueto, ele se mostrou disponível para executar dois movimentos da Moonlight para a trilha sonora: o primeiro e o terceiro. Nosso segundo encontro aconteceu na Fundação de Educação Artística, que nos cedeu para tal uma sala com piano. Lá, Jairo deitou sobre as teclas o peso perturbador da música de Beethoven, enquanto o som era gravado a partir dos aparelhos de captação. Depois disso, este material seguiu para o tratamento, edição e, finalmente, teremos uma trilha. Quando isso se der, a peteca cai na mão do editor e ele faz a mágica:
Um editor é o alquimista da sétima arte... mas isto é tema para outro dia.
Saravá!