:OLHO MÁGICO:


Gênero: Thriller Psicólogico
Roteiro e Direção: Moacir Prudêncio Jr.
Elenco: Cláudio Costa Val
Participação Especial: Teuda Bara
Ano: 2008
Cor: Preto e Branco/Colorido
Bitola: 16mm
Local: Belo Horizonte

SINOPSE:

Um Rapaz sozinho na sala de seu apartamento. De repente, alguém com uma voz ameaçadora bate à porta. No mesmo instante ele descobre uma alta quantia em dinheiro no bolso do roupão. Este e outros estranhos acontecimentos irão desencadear uma fuga na qual crime, cifras e Beethoven serão as peças fundamentais de um quebra-cabeça cujo sentido será revelado somente através do olho mágico de uma porta.

EQUIPE:

Assistente de Direção: Cecília Japiassú Porto
Produção Executiva: Cristiano Romanelli e Cláudio Costa Val
Direção de Produção: Mariana Mattos
Assistente de Produção: Cecília Gabrielan
Direção de Fotografia: Sérgio Gomes
Câmera: Sérgio Gomes
Still: Luisa Moraes
Continuista: Camila Esteves
Direção de Arte: Moacir Prudêncio Jr.
Produção de Arte: Camila Esteves e Rebeca de Paula
Maquiagem e Figurino: Carolina Breviglieri e Expedita Rafaela
Captação de Audio: Tiago Miranda
Edição: Bruno Souza

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Teuda!


11:15 am.

O celular tocou e o fabuloso som de Yan Tiersen me revelou algo contagiante: uma voz doce e risonha do outro lado.

- Eu aceito. ela disse.

Teuda Bara é o chamego mineiro em pessoa. Durante a nossa conversa descobri que ela ainda nem tinha lido o roteiro nem o conto, mas somente uma carta que anexei a este material explicando a origem do projeto. Ela será a intérprete da "Vizinha Síndica": uma senhora mal encarada que rege o movimento dos seus demais comparsas vizinhos. Eles rodeiam o cadáver de um velho morto por asfixia com um saco de lixo. Ali eles esperam consumir o pouco de vida flutuante naquele corredor, "...uma fatia restante de calor do qual pudessem se alimentar e adiar por mais alguns minutos o rompimento do fio de vida que os mantinha ainda aqui neste mundo".

Assim como o "Velho Sisudo" de Elvécio, a "Vizinha Síndica" é ponto chave da trama. Ela sabe de tudo, sempre soube. No entanto, guarda consigo aquele prazer íntimo de poder participar de tudo novamente. Uma cúplice muda da desgraça que irá se abater sobre nosso protagonista. Em suma, um oráculo egoísta, às avessas cujo caráter carrega facetas nem um pouco divinas.
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Teuda Bara nasceu em Belo Horizonte em 1941. Filha de um major do corpo de bombeiros que criara toda a família tocando trombone de vara, ela nunca freqüentou nenhum curso de formação teatral. Aos vinte anos, Teuda estudava Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde fazia teatro-jornal, junto ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH). No terceiro ano, abandou o curso e iniciou seu trabalho com o diretor Eid Ribeiro. Depois de fundar o grupo "Folias Bananas" e de assistir à apresentação belorizontina de “Ensaio Geral do Carnaval do Povo”, Teuda decidiu ser atriz e seguiu para trabalhar com José Celso Martinez Correa, em São Paulo. Um ano depois, retornou a Belo Horizonte e logo a seguir inscreveu-se, no início de 1982, naquilo que seria o útero em que se formaria o Galpão: a oficina de teatro dirigida por dois membros do Teatro Livre de Munique, George Froscher e Kurt Bildstein.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Peeping Tom



Um rapaz chamado Samuel, amigo de Luisa (a musa da fotografia Still de nosso filme!), na ocasião de uma visita ao meu orkut deixou de presente uma feliz indicação, inspirado acredito eu pelo material deste blog. Ele me apresentou o título "Peeping Tom" (A Tortura do Medo) do aclamado diretor Michael Powell: o mesmo de "The Red Shoes" (Os Sapatinhos Vermelhos). O filme conta a história de um fotógrafo, interpretado por Carl Boehm, que é obcecado em capturar o medo no rosto das pessoas. Para isso, comete crimes e filma suas vítimas.

Simpático ele, não?
Na versão em inglês da sinopse há um trecho brilhante. Ele se aproxima bastante do universo assombrado vivido pelo protagonista do nosso curta. Reproduzo aqui:

Can you see yourself in this picture? Can you imagine yourself facing the terror of a diabolical killer? Can you guess how you'd look?

Powell, em parceria com o roteirista Leo Mark, parece traçar (e digo assim por que ainda não vi o filme) através das lentes da câmera um peculiar panorama do voyeurismo. Até onde eu pude perceber pelas imagens que vasculhei na internet o equipamento cinematográfico funciona como ferramenta para uma autópsia forense do personagem protagonista.

E sob este aspecto, o nosso olho mágico compartilha dessa mesma propriedade. Principalmente quando ele se torna veículo da narrativa. O olho mágico, portanto, seria a câmera que captura a realidade para criar uma outra à sua maneira: um duplo distorcido, decomposto e apavorante que, ironicamente, é mais próximo da natureza de cada um de nós.

domingo, 17 de agosto de 2008

John Lennon:


Esta semana encontramos o prédio onde mora o "Rapaz". Está aí: Edifício John Lennon, na rua Iraí do bairro Luxemburgo. Dono de uma arquitetura bastante peculiar (reparem bem no arco vermelho) não prevista exatamente pela Direção de Arte, o prédio tem como síndica uma tal Dona Catarina que não permite que o seu número de telefone seja informado pelo porteiro. Nós, portanto, teremos de redigir uma carta comunicando-a sobre o dia das gravações e a presença da fachado de seu imóvel no filme. Pensei, inclusive, de aproveitar o comunicado para fazer um convite para atuação:

"... e ainda acrescento o convite para uma breve participação em nosso filme no papel da Velha Síndica Vizinha Antipática de Bigode. Guardado o ressentimento e convicto de que toda semelhança é uma mera coincidência, despeço-me. Obrigado pela atenção. Moacir."

Quem sabe ela até toparia.
Enfim, não é educado fazer piadas sobre quem a gente mal conhece. Perdão.

A torcida agora será à favor da Prefeitura, que nunca termina a Linha Verde, e da BHtrans cujos fiscais forjam multas para ganhar férias. Quem diria, hein? Mas precisamos deles agora. Para conseguir a liberação da rua. Às vezes fazer cinema é igual fazer política:

... a gente mastiga cascalho com boca de pão-de-mel.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Elvécio!


Ontem recebemos a feliz confirmação: Elvécio Guimarães fará uma participação especial no filme. Ele será o intérprete do "Senhor Sisudo": a personagem que carrega todos os mistérios da trama. De certa forma ele é o início e o fim de tudo. Com uma cifra tatuada na palma da mão, seu ato falho se dará quando ele resolve cruzar o tortuoso caminho do "Rapaz", personagem interpretado por Cláudio Costa Val. Mas antes que eu revele toda a estória aqui, vamos comemorar! Ainda estamos aguardando a resposta de uma outra grande atriz. Se tudo caminhar bem como tem acontecido, teremos mais uma boa notícia em breve.


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Elvécio Guimarães iniciou sua carreira na Rádio Inconfidência, em 1949. Em 1956, integrou o elenco de tele-teatro da TV Itacolomi, em Belo Horizonte, como ator, ensaiador, diretor de programas, redator de programas e tele-dramaturgia. Paralelamente ao rádio e à televisão, Elvécio Guimarães dedicou-se ao teatro de palco como ator e diretor de musicais e óperas. Foi diretor do Teatro Francisco Nunes (1982/85), presidente da Fundação Clóvis Salgado (1989) e secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

[olhebemdeperto]


Ontem: Por volta de um horário inacessível.


Vejo, acomodada numa bolsa preta, a Handycam Vision Video Hi8 CCD-TRV118 da Sony. Nome tão grande para tão pouca coisa. Abro o visor LCD e filmo meu olho. Impregnado deste Rapaz maldito. O olho maldito. As constatações mal ditas.

Se toda palavra é a condição de existência de uma idéia, uma imagem, portanto, seria a execução de uma palavra. Por isso, antes de qualquer coisa se tornar uma palavra ou uma imagem ela deverá ter sido, provavelmente, uma idéia.

Logo, tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça:

Fazer um making-of do filme com a famigerada Sony Hi8. Algo pequeno que possa ser apresentado, por exemplo, antes das exibições. Entrevistas, depoimentos, situações. Porém, filmando somente os olhos das pessoas. Ou melhor, o olho. Um só. Dez ou quinze minutos de palavras e olhos.

"[olhebemdeperto]" este será o título.

Não sei o que vai dar. E esta é a melhor parte. Não saber. E ter a liberdade, como espectador, de inventar um rosto para cada olho que fala na tela. E substituir o olho mágico pela lente frouxa da câmera de vídeo caseiro, atribuindo assim sentido ao título. São essas coisas... que se tornam possíves quando não sabemos de nada.

Quando nos deparamos com o vazio e somos obrigados a assumir: nem as palavras, nem as imagens; só o tempo é capaz de completar uma idéia.

/corredor/


O meu diálogo com Felipe, o Assitente de Fotografia, tem se dado da seguinte forma: envio para ele fotografias cuja luz carrega referências de imagens construídas pela narrativa do conto. Ele as observa e retorna com o parecer técnico que é próprio de sua criação. Hoje, à procura de uma foto de corredor tomei uma surpresa. Um daqueles momentos quando as palavras encaixam-se perfeitamente dentro de uma imagem. Isso é raro de acontecer, mas é possível. Encontrei uma foto de corredor que é a tradução literal de como ele é descrito no conto. Neste corredor, em preto e branco, acontece a última cena do filme. O momento no qual o espectador testemunhará o gesto derradeiro desta infeliz personagem. Por isso, há drama nesta luz: manchas fortes substituem o fardo e um efeito de estranhamento não permite os olhos identificarem o objeto gerador destas manchas. Espectros à margem. Na beira e pelos cantos anunciando o rompimento de um fio de vida qualquer. Esta luz é o laço que une esta personagem ao mistério. Isso eu posso dizer organizando palavras numa frase. Agora, se para nosso filme ela é possível isso quem dirá é Felipe. Por que isto é prática, o resto é poesia.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Tudo isto começa hoje:


Hoje: 23:22. Os olhos tremem.
Sim, sempre os olhos. De tanto permanecerem debaixo das lentes para míopes do meu óculos. E por cima do raio catódico do monitor do meu computador.

Tudo isto começa hoje. E já começa logo. Longo. A perder de vista nas ruas estreitas de Belo Horizonte enquanto nos fazemos injetar nas veias abertas dos bairros à procura de locações.
Pela internet escorre um e-mail convocando figurantes para a cena da fuga. Tomara que se interessem. Ao menos pela iniciativa. Cada e-mail aberto será uma vitória. Um sopapo virtuoso na pasmaceira desta minha noite que começa agora. Longa. A perder de vista os meus olhos injetados de bits.

Este personagem foge. Foge demais. Até por um bom motivo: não é fácil conviver com o estremecimento provocado pela constatação de que nós nunca saberemos se somos donos ou hospedeiros de nossos olhos.