
Ontem: Por volta de um horário inacessível.
Vejo, acomodada numa bolsa preta, a Handycam Vision Video Hi8 CCD-TRV118 da Sony. Nome tão grande para tão pouca coisa. Abro o visor LCD e filmo meu olho. Impregnado deste Rapaz maldito. O olho maldito. As constatações mal ditas.
Se toda palavra é a condição de existência de uma idéia, uma imagem, portanto, seria a execução de uma palavra. Por isso, antes de qualquer coisa se tornar uma palavra ou uma imagem ela deverá ter sido, provavelmente, uma idéia.
Logo, tinha uma câmera na mão e uma idéia na cabeça:
Fazer um making-of do filme com a famigerada Sony Hi8. Algo pequeno que possa ser apresentado, por exemplo, antes das exibições. Entrevistas, depoimentos, situações. Porém, filmando somente os olhos das pessoas. Ou melhor, o olho. Um só. Dez ou quinze minutos de palavras e olhos.
"[olhebemdeperto]" este será o título.
Não sei o que vai dar. E esta é a melhor parte. Não saber. E ter a liberdade, como espectador, de inventar um rosto para cada olho que fala na tela. E substituir o olho mágico pela lente frouxa da câmera de vídeo caseiro, atribuindo assim sentido ao título. São essas coisas... que se tornam possíves quando não sabemos de nada.
Quando nos deparamos com o vazio e somos obrigados a assumir: nem as palavras, nem as imagens; só o tempo é capaz de completar uma idéia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário