:OLHO MÁGICO:


Gênero: Thriller Psicólogico
Roteiro e Direção: Moacir Prudêncio Jr.
Elenco: Cláudio Costa Val
Participação Especial: Teuda Bara
Ano: 2008
Cor: Preto e Branco/Colorido
Bitola: 16mm
Local: Belo Horizonte

SINOPSE:

Um Rapaz sozinho na sala de seu apartamento. De repente, alguém com uma voz ameaçadora bate à porta. No mesmo instante ele descobre uma alta quantia em dinheiro no bolso do roupão. Este e outros estranhos acontecimentos irão desencadear uma fuga na qual crime, cifras e Beethoven serão as peças fundamentais de um quebra-cabeça cujo sentido será revelado somente através do olho mágico de uma porta.

EQUIPE:

Assistente de Direção: Cecília Japiassú Porto
Produção Executiva: Cristiano Romanelli e Cláudio Costa Val
Direção de Produção: Mariana Mattos
Assistente de Produção: Cecília Gabrielan
Direção de Fotografia: Sérgio Gomes
Câmera: Sérgio Gomes
Still: Luisa Moraes
Continuista: Camila Esteves
Direção de Arte: Moacir Prudêncio Jr.
Produção de Arte: Camila Esteves e Rebeca de Paula
Maquiagem e Figurino: Carolina Breviglieri e Expedita Rafaela
Captação de Audio: Tiago Miranda
Edição: Bruno Souza

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dossiê.


Finalmente, o pronunciamento. Seguem abaixo as palavras do ator protagonista de nossa peripécia caleidoscópica. Que venham outros deste. Formaremos uma documenta.


Com a palavra, o rapaz:

“Não ligo a tv. Escuto, através da porta, que o mundo tá na pior crise financeira desde o crash da bolsa de 29. Pensar que no bolso do meu roupão havia tanto dinheiro... Tudo bem, tudo bem: notas antigas. Algumas até anteriores a 29. E daí? Não me lembro, mas pra mim devem valer muito. Não compraram a minha consciência, não compraram a minha paz. Nem me mostraram o caminho. Mas, por elas, algo eu fiz... O que é esta sala? O apartamento? O corredor? A rua? Meu olho mágico? Meu olho. Mágico. Porta da consciência, corredor que liga o passado e o futuro: o presente inquisidor”.

Agora, o ator:

Já se passaram semanas. Ainda não entendo o rapaz. Ele, o outro. O mesmo. Citando o Santiago Nazarian: “O invasor estaria do outro lado. O estranho se movimentava através do fogo. Via sombras em movimento, podia ser apenas o vento. Podia ser o vento através da vela, mas quem acendera? Quem acendera a vela e deixara na mesa? Podia ter sido ele próprio”. Ainda não sei. Mas devo dizer que adorei. Experiência única. Quase, eu diria, quase... psicotrônica. Se é que alguém me entende.

Souza me diz que fez a montagem grossa, o “monstro”. Valeu, cara! Tô curioso, mas aprendi que atores não devem ver as primeiras montagens – ainda que sejam também produtores executivos da obra, ainda que já tenham passado poucas e boas noutras batalhas fílmicas. Moa deve mudar cositas ahí, cositas allá. Entram ruídos, entra trilha, entram detalhes. Aí sim, rola de conferir.

Enquanto isso, na sala da justiça, recebemos um orçamento prévio pro blow up 16/35mm: R$ 5.900,00. Ou seja, na bordinha do 6. Só pra ampliar! Tem o resto também. Quem mandou... Tem algum investidor aí? Topas patrocinar? Cris, cadê você?

Equipe: desde o começo do ano, sabia que vocês eram diferenciados. Talentosos e dedicados. Juntos, têm liga. E eu, tenho orgulho de vocês.

Sigamos. Ainda falta muito. Menos que ontem, mais que amanhã. É assim que se faz.

Bjs,

Cláudio Costa Val

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Big Bang!

* Foto da peça "Ponto Final."
Um homem num ponto de ônibus. Ele observa sem nunca embarcar, durante todos os dias de seu cotidiano, os passageiros que aguardam seu destino ali do seu lado: ora ansiosos, ora atrasados, ora impetuosos, ora comprometidos, ora jocosos, ora curiosos, horas...
Neste ninho de pessoas e personalidades, ele passa a se apropriar de alguns gestos que não são seus, passa a copiá-los e vai construindo um corpo que já não é mais o seu, mas um híbrido, um terceiro homem mimetizado a partir do minimalismo de outros corpos.
Certo dia, ele conhece uma senhora. Ao contrário dele, ela embarca sempre. Sem se preocupar com o rumo. Sua sina é caminhar; quando cansa pega um ônibus com destino qualquer só para poder sentar-se e, assim, manter a sensação de estar em movimento.
O clímax acontece quando, depois de tanto tempo em silêncio (aproximadamente 40 minutos), ela resolve dizer:

- Dez minutos é muito tempo...

E então fica selada a fatídica relação do homem com o tempo. A sua solidão infinita e o abatimento provocado pela derradeira constatação de que a vida não nos pertence.
Este trata-se de um pequeno enredo de uma peça que tive o prazer de realizar em Ouro Preto nos tempos de faculdade, chamada “Ponto Final.” E hoje, depois de uma reunião com o editor do filme, esta memória me afeta como um abraço querido alivia o cansaço.
O tempo mais uma vez nos prega uma peça.
Tínhamos a previsão de um filme que durasse mais ou menos dez minutos. No entanto, com as cenas encadeadas, os momentos organizados e excessos descartados, rendemos CINCO minutos de filme.

Pasmem!

Cinco minutos de filme. Será a duração aproximada de “:Olho Mágico:” sem os créditos.
Moral: Bethoveen tocava mais rápido do que eu poderia supor.
A música enxugou o filme, e as demais cenas estão no tempo ideal. Fiquei surpreso.
Filmamos um filme de curta-metragem ou um videoclipe?
Aceito palpites, por favor...

A inconstância das imagens, assim como a lógica particular do encadeamento orquestrado pelas notas da trilha sonora creditam, por um lado, a característica de clipe a este filme. Por outro, temos o desenvolvimento de uma narrativa com personagens e trama próprios do gênero dramático.
É importante deixar claro que, embora se faça notar pela não linearidade e pela construção de uma trajetória cíclica, “:Olho Mágico:” se propõe a contar uma estória.
Uma estória sobre um Rapaz, um objeto e a sua patética relação de opressor/oprimido.
O tempo que isso leva para acontecer, para permitir a existência desta relação é o fim de tudo.
O tempo só é quando acaba;
Quando deixa de existir para ser lembrado.
As coisas envelhecem e morrem para que o tempo possa existir, e não o contrário.
Para ler este comentário, por exemplo, você gastou aproximadamente 03:19.4 do seu tempo.
Isto representa uma fatia de sua vida. Um instante ido.
Do outro lado do mundo um idoso descobre que é soro positivo. Do outro, seis crianças intuem juntas que Papai Noel não existe.

O Cosmos.
Possível só por que perdemos tempo pensando nele. Sendo assim,
- Cinco minutos é muito tempo...