Foto da peça "Ponto Final."Um homem num ponto de ônibus. Ele observa sem nunca embarcar, durante todos os dias de seu cotidiano, os passageiros que aguardam seu destino ali do seu lado: ora ansiosos, ora atrasados, ora impetuosos, ora comprometidos, ora jocosos, ora curiosos, horas...
Neste ninho de pessoas e personalidades, ele passa a se apropriar de alguns gestos que não são seus, passa a copiá-los e vai construindo um corpo que já não é mais o seu, mas um híbrido, um terceiro homem mimetizado a partir do minimalismo de outros corpos.
Certo dia, ele conhece uma senhora. Ao contrário dele, ela embarca sempre. Sem se preocupar com o rumo. Sua sina é caminhar; quando cansa pega um ônibus com destino qualquer só para poder sentar-se e, assim, manter a sensação de estar em movimento.
O clímax acontece quando, depois de tanto tempo em silêncio (aproximadamente 40 minutos), ela resolve dizer:
- Dez minutos é muito tempo...
E então fica selada a fatídica relação do homem com o tempo. A sua solidão infinita e o abatimento provocado pela derradeira constatação de que a vida não nos pertence.
Este trata-se de um pequeno enredo de uma peça que tive o prazer de realizar em Ouro Preto nos tempos de faculdade, chamada “Ponto Final.” E hoje, depois de uma reunião com o editor do filme, esta memória me afeta como um abraço querido alivia o cansaço.
O tempo mais uma vez nos prega uma peça.
Tínhamos a previsão de um filme que durasse mais ou menos dez minutos. No entanto, com as cenas encadeadas, os momentos organizados e excessos descartados, rendemos CINCO minutos de filme.
Pasmem!
Cinco minutos de filme. Será a duração aproximada de “:Olho Mágico:” sem os créditos.
Moral: Bethoveen tocava mais rápido do que eu poderia supor.
A música enxugou o filme, e as demais cenas estão no tempo ideal. Fiquei surpreso.
Filmamos um filme de curta-metragem ou um videoclipe?
Aceito palpites, por favor...
A inconstância das imagens, assim como a lógica particular do encadeamento orquestrado pelas notas da trilha sonora creditam, por um lado, a característica de clipe a este filme. Por outro, temos o desenvolvimento de uma narrativa com personagens e trama próprios do gênero dramático.
É importante deixar claro que, embora se faça notar pela não linearidade e pela construção de uma trajetória cíclica, “:Olho Mágico:” se propõe a contar uma estória.
Uma estória sobre um Rapaz, um objeto e a sua patética relação de opressor/oprimido.
O tempo que isso leva para acontecer, para permitir a existência desta relação é o fim de tudo.
O tempo só é quando acaba;
Quando deixa de existir para ser lembrado.
As coisas envelhecem e morrem para que o tempo possa existir, e não o contrário.
Para ler este comentário, por exemplo, você gastou aproximadamente 03:19.4 do seu tempo.
Isto representa uma fatia de sua vida. Um instante ido.
Do outro lado do mundo um idoso descobre que é soro positivo. Do outro, seis crianças intuem juntas que Papai Noel não existe.
O Cosmos.
Possível só por que perdemos tempo pensando nele. Sendo assim,
Neste ninho de pessoas e personalidades, ele passa a se apropriar de alguns gestos que não são seus, passa a copiá-los e vai construindo um corpo que já não é mais o seu, mas um híbrido, um terceiro homem mimetizado a partir do minimalismo de outros corpos.
Certo dia, ele conhece uma senhora. Ao contrário dele, ela embarca sempre. Sem se preocupar com o rumo. Sua sina é caminhar; quando cansa pega um ônibus com destino qualquer só para poder sentar-se e, assim, manter a sensação de estar em movimento.
O clímax acontece quando, depois de tanto tempo em silêncio (aproximadamente 40 minutos), ela resolve dizer:
- Dez minutos é muito tempo...
E então fica selada a fatídica relação do homem com o tempo. A sua solidão infinita e o abatimento provocado pela derradeira constatação de que a vida não nos pertence.
Este trata-se de um pequeno enredo de uma peça que tive o prazer de realizar em Ouro Preto nos tempos de faculdade, chamada “Ponto Final.” E hoje, depois de uma reunião com o editor do filme, esta memória me afeta como um abraço querido alivia o cansaço.
O tempo mais uma vez nos prega uma peça.
Tínhamos a previsão de um filme que durasse mais ou menos dez minutos. No entanto, com as cenas encadeadas, os momentos organizados e excessos descartados, rendemos CINCO minutos de filme.
Pasmem!
Cinco minutos de filme. Será a duração aproximada de “:Olho Mágico:” sem os créditos.
Moral: Bethoveen tocava mais rápido do que eu poderia supor.
A música enxugou o filme, e as demais cenas estão no tempo ideal. Fiquei surpreso.
Filmamos um filme de curta-metragem ou um videoclipe?
Aceito palpites, por favor...
A inconstância das imagens, assim como a lógica particular do encadeamento orquestrado pelas notas da trilha sonora creditam, por um lado, a característica de clipe a este filme. Por outro, temos o desenvolvimento de uma narrativa com personagens e trama próprios do gênero dramático.
É importante deixar claro que, embora se faça notar pela não linearidade e pela construção de uma trajetória cíclica, “:Olho Mágico:” se propõe a contar uma estória.
Uma estória sobre um Rapaz, um objeto e a sua patética relação de opressor/oprimido.
O tempo que isso leva para acontecer, para permitir a existência desta relação é o fim de tudo.
O tempo só é quando acaba;
Quando deixa de existir para ser lembrado.
As coisas envelhecem e morrem para que o tempo possa existir, e não o contrário.
Para ler este comentário, por exemplo, você gastou aproximadamente 03:19.4 do seu tempo.
Isto representa uma fatia de sua vida. Um instante ido.
Do outro lado do mundo um idoso descobre que é soro positivo. Do outro, seis crianças intuem juntas que Papai Noel não existe.
O Cosmos.
Possível só por que perdemos tempo pensando nele. Sendo assim,
- Cinco minutos é muito tempo...
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