
Hoje: 23:22. Os olhos tremem.
Sim, sempre os olhos. De tanto permanecerem debaixo das lentes para míopes do meu óculos. E por cima do raio catódico do monitor do meu computador.
Sim, sempre os olhos. De tanto permanecerem debaixo das lentes para míopes do meu óculos. E por cima do raio catódico do monitor do meu computador.
Tudo isto começa hoje. E já começa logo. Longo. A perder de vista nas ruas estreitas de Belo Horizonte enquanto nos fazemos injetar nas veias abertas dos bairros à procura de locações.
Pela internet escorre um e-mail convocando figurantes para a cena da fuga. Tomara que se interessem. Ao menos pela iniciativa. Cada e-mail aberto será uma vitória. Um sopapo virtuoso na pasmaceira desta minha noite que começa agora. Longa. A perder de vista os meus olhos injetados de bits.
Este personagem foge. Foge demais. Até por um bom motivo: não é fácil conviver com o estremecimento provocado pela constatação de que nós nunca saberemos se somos donos ou hospedeiros de nossos olhos.
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