
11:15 am.
O celular tocou e o fabuloso som de Yan Tiersen me revelou algo contagiante: uma voz doce e risonha do outro lado.
- Eu aceito. ela disse.
Teuda Bara é o chamego mineiro em pessoa. Durante a nossa conversa descobri que ela ainda nem tinha lido o roteiro nem o conto, mas somente uma carta que anexei a este material explicando a origem do projeto. Ela será a intérprete da "Vizinha Síndica": uma senhora mal encarada que rege o movimento dos seus demais comparsas vizinhos. Eles rodeiam o cadáver de um velho morto por asfixia com um saco de lixo. Ali eles esperam consumir o pouco de vida flutuante naquele corredor, "...uma fatia restante de calor do qual pudessem se alimentar e adiar por mais alguns minutos o rompimento do fio de vida que os mantinha ainda aqui neste mundo".
Assim como o "Velho Sisudo" de Elvécio, a "Vizinha Síndica" é ponto chave da trama. Ela sabe de tudo, sempre soube. No entanto, guarda consigo aquele prazer íntimo de poder participar de tudo novamente. Uma cúplice muda da desgraça que irá se abater sobre nosso protagonista. Em suma, um oráculo egoísta, às avessas cujo caráter carrega facetas nem um pouco divinas.
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Teuda Bara nasceu em Belo Horizonte em 1941. Filha de um major do corpo de bombeiros que criara toda a família tocando trombone de vara, ela nunca freqüentou nenhum curso de formação teatral. Aos vinte anos, Teuda estudava Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde fazia teatro-jornal, junto ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH). No terceiro ano, abandou o curso e iniciou seu trabalho com o diretor Eid Ribeiro. Depois de fundar o grupo "Folias Bananas" e de assistir à apresentação belorizontina de “Ensaio Geral do Carnaval do Povo”, Teuda decidiu ser atriz e seguiu para trabalhar com José Celso Martinez Correa, em São Paulo. Um ano depois, retornou a Belo Horizonte e logo a seguir inscreveu-se, no início de 1982, naquilo que seria o útero em que se formaria o Galpão: a oficina de teatro dirigida por dois membros do Teatro Livre de Munique, George Froscher e Kurt Bildstein.
Um comentário:
Grande e saborosa surpresa para estes olhos, tão longe, mas com desejos já de ver esta gestação completa. E tudo porque entrei no meu email para apagar o odiados spams e pela curiosidade inerente começo a bisbilhotar o blogg.
Já sabe o quanto me deixa feliz todo este relato.
¡Mierda mi pequeño Gran genio!
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